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quarta-feira, 11 de junho de 2008

Floresta Zero


Entre a ausência de graça e a genialidade, o Casseta & Planeta segue anos a fio na programação da Rede Globo. Fazia tempo que não assistia, mas ontem à noite, confesso, resolvi desligar o indignômetro e acompanhar toda a programação da emissora, da telenovela ao Toma Lá Dá Cá, bem no estilo deita e relaxa, senão não encaixa. E confesso, estava precisando dar umas boas risadas, mesmo que fosse com piadas fracas.

Durante minha monumental deitada no sofá, vi no Casseta & Planeta um quadro de um certo tom de mal gosto, mas de crítica dura e inteligente. Em "Liquidação Total da Amazônia", com uma chamada do tipo "Corra, que está terminando!", apareciam produtos em promoção (e aí entra a parte do mau gosto) como "Presunto de Índio Ianomami" ou "Madeira de Lei Fora da Lei", sendo oferecidos como as ofertas de um canal de vendas por televisão, sobre imagens de fundo de queimadas e destruição de florestas.

O quadro se refere ao projeto de Lei 6424, apelidado de Floresta Zero, que autoriza a derrubada de até 50% da vegetação nativa em propriedades privadas na Amazônia. O projeto também desobriga os responsáveis pelos desmatamentos a recuperarem a área prejudicada. Sendo assim, o plantio de árvores no Rio Grande do Sul poderia compensar o desmatamento no Pará, por exemplo.

Para alívio na nação, o novo Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, afirmou na semana passada que o presidente Lula é contra o projeto Floresta Zero, e se comprometeu a vetá-lo, caso seja aprovado no Congresso. (Veja notícia na íntegra do Greenpeace)

Nesse sentido, a iniciatica Meia Amazônia Não promove um abaixo-assinado contra o projeto. O website, além de informativo, é super criativo, pois oferece ao internauta o desafio de contrução de uma rede de amigos, representados por folhas de árvores, que participem da petição e a indiquem a outras pessoas. O incentivo à divulgação do website conta inclusive com um ranking, que mostra os internautas que conseguiram arrecadar mais votos. Passa lá, além de assinar, tem informações interessantes sobre a Floresta Amazônica.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Ciberativismo ambiental?

Ciberativismo, eu nunca tinha parado para pensar na existência deste termo. É a utilização da Internet por grupos politicamente motivados, a fim de promover mobilização nos mais diversos âmbitos. A rede pode ser muito eficaz quando utilizada em prol do ativismo social, pois pode reunir com facilidade milhões de pessoas geograficamente isoladas em um único propósito.

Na área ambiental, o Greenpeace publica diversas petições online, como esta pedindo que o governo federal desenvolva políticas nacionais de mudanças climáticas; ou esta, também endereçada ao Planalto, que se manifesta contra a construção da usina nuclear Angra 3. O Greenpeace oferece ainda a possibilidade do internauta se tornar um ciberativista ambiental no conforto de sua caixa de entrada, assinado o boletim mensal da organização.

(Para quem gosta de estudos relacionados à comunicação e cibercultura, vale a pena dar uma olhada no trabalho
Redes e ciberativismo: notas para uma análise do centro de mídia independente, de Maria Eugenia Cavalcanti Rigitano.)

quinta-feira, 27 de março de 2008

Eles estão chegando

Semana passada, minha irmã recebeu na porta de um supermercado o Guia do Consumidor do Greenpeace (veja aqui a versão on line), com o subtítulo "lista de produtos que podem conter transgênicos". A organização explica, de uma forma didática e simpática, o motivo pleo qual se posiciona contra a prática, além de abordar questões como consumo responsável e direitos do consumidor.

A publicação, impressa em papel reciclado através de processo livre de cloro, traz uma lista de alimentos que podem conter ingredientes transgênicos, enumerando não somente os nomes dos produtos, mas apresentando fotografias, como as dos chocolates da Garoto, das balas da Adams, além de uma relação imensa de óleos vegetais e margarinas. Como se trata de uma listagem de alimentos que possivelmente podem conter ingredientes geneticamente modificados, a exibição das imagens dos produtos chega a apresentar um tom alarmista . Uma experiência particularmente desconcertante encontrar em uma espécie de lista negra os alimentos que fazem parte de nosso dia-a-dia, as embalagens tão familiares que vemos sempre que abrimos o armário das bolachas em busca de um lanchinho. Conhecendo, porém, a forma de ação do Greenpeace, com seu histórico de companhas chocantes pelo mundo, é possível que o livrinho não chamasse tanta atenção se somente listasse nomes de produtos.

A organização afirma que o consumo de transgênicos "significa correr um risco desnecessário" já que, a longo prazo, ainda não existem informações suficientes sobre o impacto ambiental desta prática. Ela pode ser, por exemplo, responsável pelo desaparecimento de espécies de insetos e, conseqüentemente, pelo desequilíbrio de uma ou muitas cadeias alimentares. A indústria dos transgênicos alega que o emprego de suas sementes pode reduzir o uso de agrotóxicos. Entretanto, Greenpeace e outros especialistas defendem que, com o passar dos anos, o agricultor é obrigado a utilizar maiores quantidades da substância química pois esta acaba por selecionar as ervas daninhas mais resistentes.

Por exemplo, a soja da Monsanto é resistente a um único pesticida, o pesticida produzido pela própria Monsanto. Da mesma forma, o milho da Bayer não morre com o emprego do agrotóxico da Bayer. Após alguns anos de emprego, as erva daninhas precisam de uma maior quantidade de agrotóxico para serem exterminadas. Resultado? As multinacionais dos transgênicos e dos agrotóxicos venderão mais sementes e mais venenos. Talvez com uma nova modificação, atendendo às necessidades que alterações anteriores promoveram. De acordo com o Greenpeace, a prova disso é que, quando a soja transgênica foi aprovada pelo governo federal, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aumentou em 50 vezes a quantidade permitida de resíduo de agrotóxico na soja.

Antes do livrinho, presença dos transgênicos nunca parecera tão próxima ao meu dia-a-dia. Ingênua que sou. Neste fim de semana, meu primo, engenheiro de petróleo da Petrobrás, me deu carona. Sua futura esposa me contou toda contente que acabara de ser aprovada para o mestrado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A recém formada bióloga receberá bolsa da CAPES para ser pesquisadora. Passará os próximos dois anos em um laboratório. Desenvolvendo o quê? Uma espécie de algodão que seja resistente a um determinado predador. Eu não perguntei mais detalhes. Fiquei paralisada pelo resto da viagem.