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segunda-feira, 23 de junho de 2008

Joguinho sujo


Faz tempo que o Papa-Pilhas do Banco Real me chama a atenção. Vi a grande caixa de recolhimento de baterias usadas em diversos locais da cidade. Um banco que se encarrega da reciclagem de pilhas velhas...

Nunca engoli muito essa nova forma das empresas promoverem suas imagens de boazinhas. Os termos
responsabilidade social e sustentabilidade estão na moda, a última onda tão amada pelos RP's. Desconfio sempre porque a questão é a seguinte: será que o compromisso dessas empresas realmente é sócio-ambiental, ou é com o capital? Em última instância, o que move esse tipo de campanha: a preservação do planeta ou o engrandecimento do próprio bolso?

Vejamos o caso da Aracruz. É uma ironia a campanha publicitária veiculada durante a última Copa do Mundo, a qual trazia o slo
gan "O Brasil fazendo um bonito papel no mundo inteiro". A multinacional, que vende 99% de sua produção para a confecção européia de fraldas descartáveis, lenços de papel e absorventes femininos, é acusada pelo esgotamento do solo brasileiro provocado pela monocultura do eucalipto, fator conhecido como Deserto Verde. Além do mais, a indústria de celulose é responsável pela grilagem de diversas terras indígenas do Espírito Santo. Veja aqui o caso da demarcação de terras indígenas no Estado, em que a Aracruz produziu outdoors ofensivos aos povos indígenas e à FUNAI. Um verdadeiro papelão para o mundo inteiro.

Na área da promoção de sua imagem socio-ambiental-responsável, veja as notícias da capa do website da multinacional. Em uma delas, o texto fala sobre a participação da Aracruz no V Encontro Nacional do Diálogo Florestal para a Mata Atlântica, que pretende promover ações concretas de proteção e restauração florestal do bioma. Será que a Aracruz, que denomina produtores florestais os produtores rurais que cultivam eucalipto, realmente está precupada com a preservação de ALGUM BIOMA??!

Mas, e o
Banco Real? Acabo de descobrir que a instituição recebeu nas últimas semanas o título de Banco Sustentável do Ano, na premiação mundial oferecida pelo jornal britânico Financial Times e pelo International Finance Corporation, ligado ao Banco Mundial. Os concorrentes eram grandes instituições como o Citibank (EUA), Rabobank (Holanda) e HSBC e Standard Chartered (Grã-Bretanha). Veja a notícia na íntegra sobre a premiação aqui.

Confesso que fiquei surpresa visitando o website do Real. As campanhas de sustentabilidade vão muito além do Papa-Pilhas. Ambientes virtuais dão dicas simples para serem implantadas em nossas próprias casas, como pintar as paredes com cores claras para potencializar a iluminação dos ambientes, ou optar por móveis usados para a mobília do lar. Também a atenção na edificação é importante, como a escolha da orientação solar e a espessura das paredes, por exemplo. Todas as dicas contém um texto explicativo sobre como o Banco Real implanta em suas agências tais técnicas.


O website contéma ainda diversas referências sobre sustentabilidade, e oferece até cursos on-line sobre o tema. A primeira unidade do curso sobre Edificação Sustentável conta sobre a experiência do Real na construção da primeira agência bancária ambientalmente correta do Brasil, a Agência Granja Viana, em Cotia.


Neste blog há uma extensa análise sobre a "onda" da sustentabilidade, que fala sobre os bancos de todo o mundo terem sido os primeiros a adotarem este "selo". De acordo com o especialista em estratégia empresarial Fábio Albuquerque, dono do blog, o Citi Bank, que concorria ao título de Banco mais Sustentável do Mundo ao ladodoReal, foi alvo de protestos em meados de novembro passado, quando milhares de ativistas organizados pela ONG Rainforest Action Network protestavam nos Estados Unidos contra os investimentos do Banco em usinas de energia movidas a carvão. Ele não critica, entretanto, as estratégias socio-ambientais do Banco Real.

Indo bem longe, dá até para imaginar uma rede de interesses que se constrói em torno do lema sustentabilidade. Li hoje nesta notícia que a revista espanhola GEO oferece desconto aos anunciantes cujas campanhas publicitárias promovam o meio ambiente. Desconto para os anunciantes, mais anunciantes para a revista. Resultado: um maior número de páginas para esta revista. Conseqüentemente, um aumento no consumo de celulose para a produção do papel da publicação, ou seja, crescimento da produção de empresas como a Aracruz. E o Banco Real? Banco Real, não nos decepcione. Já pensou descobrir que a instituição financia a Aracruz?

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Floresta Zero


Entre a ausência de graça e a genialidade, o Casseta & Planeta segue anos a fio na programação da Rede Globo. Fazia tempo que não assistia, mas ontem à noite, confesso, resolvi desligar o indignômetro e acompanhar toda a programação da emissora, da telenovela ao Toma Lá Dá Cá, bem no estilo deita e relaxa, senão não encaixa. E confesso, estava precisando dar umas boas risadas, mesmo que fosse com piadas fracas.

Durante minha monumental deitada no sofá, vi no Casseta & Planeta um quadro de um certo tom de mal gosto, mas de crítica dura e inteligente. Em "Liquidação Total da Amazônia", com uma chamada do tipo "Corra, que está terminando!", apareciam produtos em promoção (e aí entra a parte do mau gosto) como "Presunto de Índio Ianomami" ou "Madeira de Lei Fora da Lei", sendo oferecidos como as ofertas de um canal de vendas por televisão, sobre imagens de fundo de queimadas e destruição de florestas.

O quadro se refere ao projeto de Lei 6424, apelidado de Floresta Zero, que autoriza a derrubada de até 50% da vegetação nativa em propriedades privadas na Amazônia. O projeto também desobriga os responsáveis pelos desmatamentos a recuperarem a área prejudicada. Sendo assim, o plantio de árvores no Rio Grande do Sul poderia compensar o desmatamento no Pará, por exemplo.

Para alívio na nação, o novo Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, afirmou na semana passada que o presidente Lula é contra o projeto Floresta Zero, e se comprometeu a vetá-lo, caso seja aprovado no Congresso. (Veja notícia na íntegra do Greenpeace)

Nesse sentido, a iniciatica Meia Amazônia Não promove um abaixo-assinado contra o projeto. O website, além de informativo, é super criativo, pois oferece ao internauta o desafio de contrução de uma rede de amigos, representados por folhas de árvores, que participem da petição e a indiquem a outras pessoas. O incentivo à divulgação do website conta inclusive com um ranking, que mostra os internautas que conseguiram arrecadar mais votos. Passa lá, além de assinar, tem informações interessantes sobre a Floresta Amazônica.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Aí tem


Do site Ambiente Já
Carlos Minc é confirmado o novo ministro do Meio Ambiente

O secretário do meio ambiente do Rio de Janeiro, Carlos Minc, foi confirmado como ministro do Meio Ambiente no lugar de Marina Silva. Minc tem uma história no movimento ambientalista brasileiro, já foi secretário municipal do Meio Ambiente no Rio de Janeiro e é muito respeitado entre os ambientalistas do Sul/Sudeste.

Apesar de o presidente Lula ter dito que a política de meio ambiente de seu governo não vai mudar, está difícil neste momento entender o que isto quer dizer. O que não vai mudar é a política que vinha sendo desenvolvida pela ex-ministra Marina, de confrontação com madeireiros e exigência de medidas redução de impactos de grandes obras na Amazônia. Ou o que será mantido á a política de dar mensagens dúbias para a sociedade, como o presidente faz ao criticar o Ministério do Meio Ambiente e aproximar-se de grupos econômicos fortes e com interesses no desmatamento.

No mesmo dia em que Marina se demitiu o presidente baixou medida provisória autorizando a venda de terras pública na Amazônia para grileiros que já tenham desmatado parte da área. Quando o presidente fala que não haverá mudança na Política Ambiental é preciso saber de que política ambiental ele está falando. O Brasil está em um momento chave de sua história, pela primeira vez os insumos ambientais que o País tem estão valorizados no mercado internacional. Sem um eficiente zoneamento econômico/ecológico, que defina o que deve e pode ser produzido, e onde. Este zoneamento possibilitaria maior eficiência de produção e de logística na produção brasileira de biomassa.

Minc terá pela frente o desafio de manter as regras ambientais frente ao grande crescimento econômico do Brasil, sem ser, também, acusado de “atravancar o desenvolvimento”. Resta agora esperar o novo Ministro retornar da França, onde está em viagem oficial pelo Estado do Rio de Janeiro. O segundo escalão vai definir muito do que será este novo MMA.


Quando "situações" como a da (suposta) repentina demissão de Marina Silva, seguida da citada MP que autoriza a venda de terras da Amazônia, vêm à tona, uma pulguinha tende a pular atrás do ouvido dizendo que aí tem. Infelizmente, enquanto interesses politico-econômicos estiverem hierarquicamente acima dos ambientais, estaremos muitíssimo longe de qualquer chance de mudança.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

O lixo de Nápolis


A União Européia abriu um processo judicial contra o governo da Itália. O motivo é a crise do lixo, um problema crônico no país, que dura 14 anos. Em janeiro deste ano, quando mais uma vez a cidade de Nápolis chegou ao caos com toneladas de lixo espalhadas pelas ruas e rodovias, a União Européia exigiu que a Itália solucionasse o problema.

Conhecendo bem a lentidão do funcionamento da máquina pública italiana, não é de se surpeender que em quatro meses o sistema de coleta e tratamento de resíduos no sul do país ainda não tenha sido aprimorado. Como medida emergenciai, em janeiro de 2008 o governo italiano chegou a enviar à Alemanha trens carregados de resíduos domésticos para tratamento. Na ocasião, especulou-se ainda que o lixo do sul da Itália estava sendo depositado também na Ilha da Sicília. Chegando em maio, o problema volta a se repetir. Neste semana, haviam 30 mil toneladas de lixo nas ruas da região napolitana. Com a chegada do verão, a populaçaõ corre o risco maior de contrair doenças como cólera.

Além da reestruturação da coleta de resíduos urbanos, a conscientização da população italiana é fator muito importante para a resolução da crise. No centro e no norte do país, o sistema de separação e reciclagem funciona bem e é disceminada a consciência da redução da utilização de plásticos e papel.

O sul da Itália, entretanto, parece um país a parte. Subdesenvolvida e esquecida, a região enfrenta desemprego e corrupção. A população não tem o mesmo grau de informação que o restante da nação. O resultado é refletido também na crise do lixo. Em um café da manhã que tomei em um albegue de Nápolis, me foi servida a mesma quantidade de produtos descartáveis, como copos e pratos, que demoraria uma semana para consumir em qualquer outro lugar da Itália.


quinta-feira, 1 de maio de 2008

Controversa composteira

Desde o começo do semestre, tem despertado a curiosidade dos fabicanos uma pequena construção de tijolos que foi erguida no pátio da unidade de ensino. Trata-se de uma composteira: um depósito de materiais orgânicos como galhos e folhas secas, cascas de frutas e legumes, borra de café e restos de erva-mate. Esses resíduos acumulados, depois de decompostos, podem ser aproveitados como adubo.

Em 2007, foi criada a Coordenadoria de Gestão Ambiental da UFRGS, dirigida pelo engenheiro agrônomo Darci Campani. Desde então, cada unidade acadêmica possui um gestor ambiental, técnico encarregado de elaborar políticas de sustentabilidade na universidade.

Marta Agustoni, gestora ambiental da Fabico, conta que a faculdade foi pioneira na atitude ecológica dentro da UFRGS, pois realiza desde 2002 ação de coleta seletiva e reciclagem, em parceria com uma unidade de triagem de resíduos gerenciada por pacientes do Hospital Psiquiátrico São Pedro. "Outra ação importante foi a implantação das lixeiras nos corredores, em 2004, seguida de uma campanha de conscientização do público da faculdade sobre a separação do lixo", revela Marta.

A técnica também explica que, em 2007, foi montada uma composteira na lateral do prédio da unidade de ensino. A estrutura, feita de tela metálica, não seguia os padrões exigidos pela legislação ambiental; por isso, técnicos da universidade determinaram que fosse construído um novo depósito de alvenaria.

Alguns alunos questionam a localização da nova composteira. Eles dizem que o material orgânico trará mau cheiro ao pátio da Fabico. Marta, porém, garante que não haverá cheiro ruim com o novo recipiente de resíduos. Ela destaca que o material depositado na composteira será usado na fertilização do solo do jardim da faculdade.

"O novo depósito de composto orgânico atenderá, depois de pronto, não apenas a Fabico, mas também o Planetário e a Escola Técnica da UFRGS", afirma a técnica. Para o futuro, a gestão ambiental da Fabico pretende implantar uma espécie de "cobertura verde" no telhado do andar térreo da unidade. O projeto, que será implantado em caráter experimental, promete reduzir o calor nas salas de aula e melhorar o aspecto estético do telhado.

Veremos então.