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segunda-feira, 30 de junho de 2008

Paraná: nuvem de veneno!

Você sabia que o estado do Paraná é o campeão nacional em produtividade de grãos? Você sabia também que, a cada minuto, são lançados impressionantes 66kg de agrotóxicos no solo paranaense? Em um ano, a cifra chega a absurdas 4 mil toneladas de defensivos agrícolas lançados no meio ambiente desse estado. Uma verdadeira nuvem de veneno.

Descobri isso lendo um artigo do deputado estadual Luiz Eduardo Cheida, autor de um projeto de lei na Assembléia Legislativa do Paraná, com o objetivo de tirar de circulação grandes volumes de pesticidas organoclorados que, a despeito da proibição em todo o território nacional, ainda são estocados por agricultores no estado. Estima-se que existem cerca de 4 milhões de quilos desse tipo de composto químico armazenados em propriedades rurais paranaenses.

O deputado traz ainda a informação de que cerca de 30% do veneno utilizado nas lavouras de seu estado é contrabandeado e entra no país via Paraguai. Somando-se os agrotóxicos legais e os pirateados, temos a suntuosa marca de 5 milhões de quilos de pesticidas lançados todos os anos em terras do Paraná. Um número alarmante, sem sombra de dúvida.


Fonte: http://www.ecoterrabrasil.com.br/home/index.php?pg=temas&cd=1749

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Estudo norte-americano comprova viabilidade da agricultura orgânica

Navegando pela internet, descobri uma revista eletrônica da Universidade de Cambridge, Estados Unidos. A Renewable Agriculture and Food Systems é uma publicação multidisciplinar com foco em abordagens ambiental, econômica e socialmente sustentáveis para a agricultura e a produção de alimentos. Seus artigos discutem os impactos econômicos, ecológicos e ambientais da agricultura, o uso de recursos renováveis e da biodiversidade em agro-ecossistemas e as implicações tecnológicas e sociológicas de sistemas de alimentação sustentável.

Em trabalho recentemente publicado na revista, Badgley e colaboradores demonstraram com sua pesquisa que a agricultura orgânica, ao contrário do que afirmam seus críticos, tem potencial para "contribuir substancialmente para o abastecimento global de alimentos", reduzindo o impacto ambiental causado por pesticidas e fertilizantes sintéticos. Os estudiosos também sugerem que métodos orgânicos de cultivo propiciam índices de produtividade por hectare semelhante ao observado com o emprego de métodos agrários convencionais (ou seja, com o uso de agrotóxicos e fertilizantes inorgânicos).

Sabemos – e não é de hoje – que os pesticidas interferem na qualidade dos alimentos que consumimos e, consequentemente, em nossa saúde; agora, a ciência atesta: a agricultura orgânica pode ser tão eficiente na produção de alimentos quanto a agricultura tradicional. Difícil, porém, é modificar práticas de cultivo profundamente arraigadas entre os produtores, bem como diminuir a influência do poder econômico no mundo rural. Com a presença maciça no campo de gigantes como a Monsanto (só para citar uma grande empresa do ramo), me parece ainda um tanto distante a mudança em questão.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Eles estão chegando

Semana passada, minha irmã recebeu na porta de um supermercado o Guia do Consumidor do Greenpeace (veja aqui a versão on line), com o subtítulo "lista de produtos que podem conter transgênicos". A organização explica, de uma forma didática e simpática, o motivo pleo qual se posiciona contra a prática, além de abordar questões como consumo responsável e direitos do consumidor.

A publicação, impressa em papel reciclado através de processo livre de cloro, traz uma lista de alimentos que podem conter ingredientes transgênicos, enumerando não somente os nomes dos produtos, mas apresentando fotografias, como as dos chocolates da Garoto, das balas da Adams, além de uma relação imensa de óleos vegetais e margarinas. Como se trata de uma listagem de alimentos que possivelmente podem conter ingredientes geneticamente modificados, a exibição das imagens dos produtos chega a apresentar um tom alarmista . Uma experiência particularmente desconcertante encontrar em uma espécie de lista negra os alimentos que fazem parte de nosso dia-a-dia, as embalagens tão familiares que vemos sempre que abrimos o armário das bolachas em busca de um lanchinho. Conhecendo, porém, a forma de ação do Greenpeace, com seu histórico de companhas chocantes pelo mundo, é possível que o livrinho não chamasse tanta atenção se somente listasse nomes de produtos.

A organização afirma que o consumo de transgênicos "significa correr um risco desnecessário" já que, a longo prazo, ainda não existem informações suficientes sobre o impacto ambiental desta prática. Ela pode ser, por exemplo, responsável pelo desaparecimento de espécies de insetos e, conseqüentemente, pelo desequilíbrio de uma ou muitas cadeias alimentares. A indústria dos transgênicos alega que o emprego de suas sementes pode reduzir o uso de agrotóxicos. Entretanto, Greenpeace e outros especialistas defendem que, com o passar dos anos, o agricultor é obrigado a utilizar maiores quantidades da substância química pois esta acaba por selecionar as ervas daninhas mais resistentes.

Por exemplo, a soja da Monsanto é resistente a um único pesticida, o pesticida produzido pela própria Monsanto. Da mesma forma, o milho da Bayer não morre com o emprego do agrotóxico da Bayer. Após alguns anos de emprego, as erva daninhas precisam de uma maior quantidade de agrotóxico para serem exterminadas. Resultado? As multinacionais dos transgênicos e dos agrotóxicos venderão mais sementes e mais venenos. Talvez com uma nova modificação, atendendo às necessidades que alterações anteriores promoveram. De acordo com o Greenpeace, a prova disso é que, quando a soja transgênica foi aprovada pelo governo federal, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aumentou em 50 vezes a quantidade permitida de resíduo de agrotóxico na soja.

Antes do livrinho, presença dos transgênicos nunca parecera tão próxima ao meu dia-a-dia. Ingênua que sou. Neste fim de semana, meu primo, engenheiro de petróleo da Petrobrás, me deu carona. Sua futura esposa me contou toda contente que acabara de ser aprovada para o mestrado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A recém formada bióloga receberá bolsa da CAPES para ser pesquisadora. Passará os próximos dois anos em um laboratório. Desenvolvendo o quê? Uma espécie de algodão que seja resistente a um determinado predador. Eu não perguntei mais detalhes. Fiquei paralisada pelo resto da viagem.