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quinta-feira, 3 de julho de 2008

Alguém bebe água da torneira em Porto Alegre?

Apesar dos investimentos no abastecimento público municipal, reportagem publicada no site Ambiente Já dá conta de que os moradores da capital gaúcha consomem preferencialmente água mineral. Isso não é nenhuma novidade. Desde que as algas começaram a se proliferar nas águas do Guaíba no verão, tornou-se praticamente impossível beber do líquido precioso que chega pelas torneiras de nossas casas, em função do gosto horroso deixado por tais plantas na água distribuída pelo Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae).

A autarquia municipal tem realizado obras para aprimorar o sistema de distribuição de água na capital. Atualmente, 99,5% da população porto-alegrense tem acesso à agua tratada. Apesar disso, não conheço ninguém que se arrisque a beber água da torneira. Mas é no mínimo curioso – para não dizer coisa pior – pagar por um serviço de abastecimento público de água e ter que COMPRAR água mineral para beber.

É possível acompanhar mensalmente, no site do Dmae, os padrões de potabilidade da água medidos pelo Departamento. A título de curiosidade, verifiquei que, no último mês de maio – ainda não há estatísticas para junho –, o pH da água porto-alegrense ficou em 6,4. Se isso é bom ou ruim, não faço a menor idéia.

Foi registrada também ausência total de coliformes fecais. Ou seja: podem ficar tranqüilos que, apesar do gosto intragável, ninguém morrerá de diarréia ao beber água da torneira.


Fonte: http://www.ambienteja.info/2006/ver_cliente.asp?id=128076&aux=1

domingo, 25 de maio de 2008

Tristeza não tem fim, preguiça sim


Eu remo. Metaforicamente na vida, seja na faculdade (faz parte da crise existencial que acomete alguns fabicanos lá pelo início-meio do curso), ou no que é, digamos, mais privado, mas me refiro ao esporte mesmo.

E (por vezes) é triste remar. Não pelo frio horroso que faz às 5 e meia da manhã quando tu acorda pra dar termpo de pegar a barca das 6 e 45 e pôr o barco na água às 7, nem pela incrível solidão que muitas vezes te acomete no meio do Guaíba, ou ainda pela dureza que é ter que enfrentar a intempérie pra não ficar a deriva quando o tempo muda subtamente. Não mesmo. O que destrói mesmo alguém que gosta desse contato com esportes náuticos é perceber como está sendo morta a nossa água.

É entrar no barco depois de alguns dias de chuva e remar sacolas, garrafas, embalagens, enfim, tudo que deveria estar no caminhão da coleta seletiva ou na carroça de algum catador... Por vezes me pergunto se um dia vou poder encostar o barco numa manhã quente de verão sem ter medo da quantidade de sujeira depositada ali e que vai passar pro meu corpo, tomar um banho gostoso e refrescante no costado de qualquer ilha e voltar feliz.

Dá um pequeno alívio e alguma esperança perceber que, mesmo com todo esse cenário trágico, algumas pessoas tentam reverter a situação e não ficam de braços cruzados diante do assassinato das águas que nos cercam e das quais dependemos diretamente, não apenas pra praticar o remo, mas pra viver. Pode até parecer puxa-saquismo da minha parte, mas fico bastante contente de saber que o clube que me recebe para tal atividade física (bem como ao meu pagamento mensal), se mobilizou numa campanha pra também receber óleo de cozinha usado nas suas sedes!

Agora os preguiçosos que forem sócios de lá poderão aproveitar e pôr a mão na consciência, melhor ainda, em alguma garrafa pet e enchê-la de óleo que não será descartado de forma omissa e errônea mais uma vez ao levarem consigo tada a vez que pintarem por lá...



quinta-feira, 27 de março de 2008

A diferença dos Centros

Neste verão, estive em Florianópolis e fiquei com muito impressionado com a limpeza e organização do Centro da cidade. Muito diferente da região central de Porto Alegre, com sua confusão de camelôs, ambulantes, flanelinhas e, naturalmente, sua sujeira característica. Em Floripa, por exemplo, há vários desses “centros populares de compras” – camelódromos, no popular –, espalhados pelo entorno do Centro.

Fico chateado ao pensar – e aqui me permito ser bastante bairrista – que uma cidade muito menos importante como Florianópolis tenha conseguido, ao contrário de Porto Alegre, erradicar a praga dos camelôs. Na verdade, a capital gaúcha ainda está longe de resolver esse problema: apesar da construção do camelódromo sobre o terminal Rui Barbosa, parece-me evidente que precisaria de, no mínimo, uns dois ou três desses para abrigar todos os camelôs do Centro de Porto Alegre.

Em favor dos barriga-verdes, conta o fato de terem uma cidade bem menor que Porto Alegre como capital: enquanto esta possui mais de 1,36 milhão de habitantes, a capital barriga-verde tem pouco mais de 406 mil (dados do IBGE); uma cidade, ao menos em tese, mais fácil de organizar e com problemas sociais menos sérios; a titulo de exemplo, apenas nos últimos anos a questão das favelas se tornou assunto de interesse público em Florianópolis. Na capital dos gaúchos, esse é um problema já bastante familiar.

Mas o que mais me impressionou em minha temporada de férias em Santa Catarina foi o fato de que as ruas do Centro de Floripa são incrivelmente limpas. Não há lixo no chão, e há lixeiras espalhadas ao longo dos calçadões (sim, Floripa também tem calçadões).

Não sei se há uma maior conscientização do povo barriga-verde em relação ao seu patrimônio – tanto histórico-cultural, quanto natural, no caso de suas belas praias –; no curto período em que estive por lá, contudo, pude assistir na TV diversas propagandas do governo do Estado de Santa Catarina, enaltecendo o fato de terem sido considerados o melhor Estado para a atividade turística no Brasil (por algum ranking de alguma revista que eu não lembro qual é). Talvez isso funcione como estímulo aos catarinenses, quando estes zelam pela conservação dos bens públicos citadinos.

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Cristiano Muniz
muniz.cristiano@gmail.com