sexta-feira, 27 de junho de 2008

É muita cara-de-pau!

Andando pelos corredores de nossa mui amada instituição de ensino, fiquei abismado ao ver um cartaz anunciando o Prêmio Agroambiental Monsanto. Primeira coisa que eu pensei: "mas é muita cara-de-pau, hein?" Vendo o site criado para divulgar o concurso – com imagens de crianças felizes e um bonito sol desenhado estampando sua capa –, fiquei ainda mais estarrecido ao perceber que não há limites para o cinismo e a hipocrisia de certas corporações.

Sustentabilidade ambiental é um termo que funciona quase como uma palavra de ordem nos dias de hoje. É difícil pensar em alguma grande empresa que não possua dentre seus projetos alguma ação nesse sentido. É bom para a corporação que, naturalmente, tira proveito desse "marketing verde".

Mas, especificamente no caso da Monsanto, a coisa extrapola todos os limites do bom-senso e da honestidade. Todo mundo já está careca de saber que a referida companhia é uma das maiores produtoras mundiais de agrotóxicos, herbicidas e de sementes transgênicas. Como que uma empresa dessas pode se dizer comprometida com a agricultura sustentável? É difícil imaginar como eles tiveram o despeito de escrever algo como:

A Monsanto é uma das pioneiras no desenvolvimento da biotecnologia, que pode contribuir para uma agricultura mais sustentável. Uma agricultura que se proponha a produzir alimentos, roupas e biocombustíveis, que reduz o desmatamento, o consumo de água e de combustíveis, o uso de agrotóxicos e as emissões de CO2. Questões fundamentais para o desenvolvimento sustentável do Brasil e vitais para o futuro do planeta.

E, logo abaixo desse texto, logotipos de seus produtos que tanto favorecem a sustentabilidade ambiental de lavouras: herbicidas e soja Roundup, defensivos agrícolas para a cultura do algodão, sementes de milho transgênicas, dentre outros. Isso pra mim só pode ser "caradurismo" disfarçado de responsabilidade ambiental.

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