quarta-feira, 7 de maio de 2008

O lixo de Nápolis


A União Européia abriu um processo judicial contra o governo da Itália. O motivo é a crise do lixo, um problema crônico no país, que dura 14 anos. Em janeiro deste ano, quando mais uma vez a cidade de Nápolis chegou ao caos com toneladas de lixo espalhadas pelas ruas e rodovias, a União Européia exigiu que a Itália solucionasse o problema.

Conhecendo bem a lentidão do funcionamento da máquina pública italiana, não é de se surpeender que em quatro meses o sistema de coleta e tratamento de resíduos no sul do país ainda não tenha sido aprimorado. Como medida emergenciai, em janeiro de 2008 o governo italiano chegou a enviar à Alemanha trens carregados de resíduos domésticos para tratamento. Na ocasião, especulou-se ainda que o lixo do sul da Itália estava sendo depositado também na Ilha da Sicília. Chegando em maio, o problema volta a se repetir. Neste semana, haviam 30 mil toneladas de lixo nas ruas da região napolitana. Com a chegada do verão, a populaçaõ corre o risco maior de contrair doenças como cólera.

Além da reestruturação da coleta de resíduos urbanos, a conscientização da população italiana é fator muito importante para a resolução da crise. No centro e no norte do país, o sistema de separação e reciclagem funciona bem e é disceminada a consciência da redução da utilização de plásticos e papel.

O sul da Itália, entretanto, parece um país a parte. Subdesenvolvida e esquecida, a região enfrenta desemprego e corrupção. A população não tem o mesmo grau de informação que o restante da nação. O resultado é refletido também na crise do lixo. Em um café da manhã que tomei em um albegue de Nápolis, me foi servida a mesma quantidade de produtos descartáveis, como copos e pratos, que demoraria uma semana para consumir em qualquer outro lugar da Itália.


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